domingo, 19 de fevereiro de 2012

Começando ...


Essa história se passa com uma garota, onde alguns humanos despertam uma certa magia quando estão em torno dos doze ou treze anos. Mas com essa garota foi diferente....


Criada em um pacifico vilarejo, com um pai muito poderoso. Essa sou eu.

O ano era mais ou menos 400 a.C., quando as pessoas ainda acreditavam em magia. Sou a filha do mago mais poderoso da vila, e me orgulhava muito disso, sempre o ajudei com os seus rituais, e suas magias, mas algo o incomodava. O fato era que encontrava-me com quinze anos, e ainda não havia despertado nenhum poder mágico. Isso para o meu pai era uma afronta. Ele não aceitava o fato de sua filha não despertar logo seus poderes, mas era algo que eu não tinha culpa. E também não podia culpá-lo, afinal, ele era meu pai, minha única família. Sempre me esforcei muito para agradá-lo quando o ajudava, mas nunca era o bastante. Não para ele. Mas tem horas em que a vida muda completamente, com um simples fato. E naquele dia, foi assim.

Estava como sempre ajudando meu pai em um grande e poderoso ritual, que não tem importância agora especificar. Ele, como sempre, reclamando de como eu não conseguia realizar magia, era uma mera ajudante. Mas naquele dia em especial, eu acordei definitivamente decidida em dar o meu melhor, em conseguir a aprovação do meu pai, mesmo sem despertar poderes. Mas nada estava do jeito dele. “Esse símbolo não está correto”, ele dizia. “Não é desse jeito que se junta os ingredientes”, ele continuava. Até que, uma frase, aquela frase, não fui capaz de suportar. Foi exatamente isso que ele disse:
- Não acredito que você não consegue utilizar nenhum poder. Uma filha minha. Aliás, não, você não deve ser minha filha.

Aquelas palavras soaram na minha cabeça como cacos pontudos de vidro entrando em meu cérebro, e todos os meus órgãos. A dor daquele momento foi indescritível. Tudo o que eu sempre fiz na vida foi tentar agradá-lo, e o que eu recebia em troca? A ingratidão de um velho egoísta, mesquinho e ridículo, que se acha o todo poderoso só por ser o mais forte dessa minúscula vila. Então, foi nesse exato momento em que tudo mudou. Uma explosão. Uma grande explosão. Tudo voou pelos ares. Finalmente eu tinha despertado poderes, poderes tão grandes, que não consegui controlar. Demorei um pouco pra entender o que tinha acontecido, a poeira baixando, minha cabeça doendo, tudo rodando. Aos poucos fui entendendo que finalmente era uma maga, como meu pai sempre quis, como eu precisava ser para ele me amar. Comecei a procurá-lo para contar a novidade, revirando coisas no chão, abanando a poeira numa vã tentativa de facilitar minha visão, e então, o encontrei. Caído, desacordado, sangrando muito. Não, ele não estava desacordado, estava realmente morto. Antes que percebesse, estava desmaiada, no chão.

Isso não tem tanta importância agora, já que não me recordo de nada daquele dia, ou antes daquilo. Agora não me recordo de nada sobre a minha vida. Acordei com um cara, falando comigo. Ele disse que me encontrou no meio da floresta, desacordada, e me carregou até uma casa abandonada, onde estávamos no momento. Ele era alto, magro, e a pele branca de um jeito bem fantasmagórico. Não lembrava meu nome, quem eu era, de onde eu tinha vindo, ou algo sobre mim, e ao que me parecia, ele era minha única conexão com qualquer coisa que fizesse o mínimo de sentido. Ele me ensinou coisas sobre a magia, sobre o mundo. Com o que ele me ensinou, conseguia passar por uma multidão sem ao menos notarem que eu estive ali, roubar, fugir, fazer o que fosse preciso para continuar seguindo. Durante um tempo aprendi muito com ele, e quando já estava preparada, decidi seguir sozinha.
Com um objetivo, o de descobrir de onde venho, e quem eu sou, irei acabar com quem atrapalhar meu caminho e seguirei nessa busca até o fim. 

Posso não saber do meu passado, mas meu futuro, escrevo com minhas próprias mãos!

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