segunda-feira, 12 de março de 2012

A extinção da raça humana

Minha vida sempre foi muito calma. Tinha uma cama quentinha, brinquedos, arranhadores, tudo que um gato pode querer. A é, eu sou um gato. Mas essa não é uma daquelas histórias onde os animais conversam entre si, mas seria bom vocês saberem o que penso para entenderem melhor a situação. Minha dona sempre me tratou super bem, me dava carinho e me deixava quieto quando eu queria. Mas ela não será o assunto principal aqui.
O que é importante você saberem é o que aconteceu depois do fatídico dia em que assaltaram a casa onde eu morava. Minha dona sempre muito corajosa, tentou impedir os assaltantes, mas acabou morta. Mas esse também não é o fato principal, somente o que originou a minha jornada no mundo.

Bom, após ter perdido minha dona, não havia motivos para continuar naquela casa, então sai pelo mundo, procurando sobreviver. Foi bem difícil no começo, revirando latas de lixo, sendo enxotado a vassouradas dos lugares e tendo que procurar lugares para me abrigar da chuva. Mas um dia, pareceu que tudo iria mudar, e eu teria uma vida digna novamente.
Já não comia a dois dias e sentia que estava começando a ficar fraco, quando vi um homem na rua, carregando alguns peixes, que pareciam extremamente deliciosos. Ele olhou para outro gato que estava ali perto, provavelmente atraído pelo cheiro, e lhe ofereceu um dos peixes. Logo pensei que seria meu dia de sorte, e que talvez ele até me levasse para morar com ele. Comecei a me aproximar bem devagar, já sentindo na boca o gostinho daquele peixe, quando um outro gato, atrás de mim, me puxou pelo rabo. Olhei para ele, e ele estava parado, olhando o homem dar o peixe aquele gato de sorte que estava na sua frente. Sem entender muito, decidi observar também. Algum tempo depois, quando o gato estava completamente distraído com o peixe, o homem pegou uma barra de ferro que havia trazido escondido, e bateu na cabeça dele. Naquela hora, me senti aliviado pelo meu rabo ter sido puxado. Após isso, o gato que me salvou começou a ir embora, mas parou, e olhou para mim. Acho que ele queria que eu fosse junto. O segui, até chegarmos a um prédio abandonado. Lá, tive uma surpresa enorme. Havia muitos gatos, talvez centenas deles. Isso era muito estranho, porque gatos não vivem em bandos. Pelo contrário, eram seres solitários, mas algo estava fazendo com que se unissem. Como sempre fui criado em casa, e não tinha muita experiência nas ruas, decidi ficar com eles. Na noite seguinte, senti um cheiro de peixe, e fui olhar para ver se a cena se repetiria. Segui o cheiro até encontrar exatamente o que eu pensava ser. O homem na rua, com peixes na mão. Mas dessa vez, dois gatos comiam os peixes. Um terceiro gato, fora do alcance de visão do homem fez menção em se aproximar, mas percebi a tempo, e como me salvaram, o salvei também. Após vermos os outros dois gatos serem abatidos, ele também me seguiu. E também ficou no prédio abandonado. Então entendi o que estava acontecendo. O medo estava unindo aqueles gatos todos. Mas aquilo não podia continuar, quantos será que já haviam sido mortos.
E na noite seguinte, novamente o cheiro de peixe. Eu iria segui-lo novamente, mas dessa vez, tentar fazer algo a respeito. O gato que eu havia salvado me viu indo naquela direção, e começou a me acompanhar. O que me salvou também. E depois outro, e mais outro. Quando dei por mim, todos os gatos começaram a vir junto. Encontramos o homem com os peixes, pronto para abater outro indefeso. Quando ele fez o movimento para pegar a barra de ferro, avancei sobre ele, e todos os outros gatos fizeram o mesmo.
Estilhaçamos cada pedaço do corpo dele, até não sobrar nenhuma parte inteira. Quando acabamos, uma mulher apareceu na rua, e vendo a cena, ficou chocada, e pegou o bastão imediatamente para se defender. No mesmo momento, todos os gatos avançaram nela com a mesma ferocidade que avançaram no homem que já estava morto. E a mataram também.
E foi assim que começou a extinção da raça humana.

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